(18-06-2008)
O Desejo é perpetuado num delicioso e molhado beijo com sabor a ti...
A Morte, de vestido negro fatal, encontra-se a si mesma no delírio sensual de si...
Lasciva se movimenta e sussurra: "Vem ao meu beijo mortal...
Cercados estaríamos no Céu, pois que é aqui, na Terra, que nos encontramos..."
E, gravitando em redor um do outro,
Eu e tu
Numa dança cósmica de Viver e de Morrer
Em corpos suados, que se atraem
Consumidos e ardendo no Fogo ancestral
Onde se apresentam ironias e magias num Desejo fatal...
Como se, dentro de Tudo, tudo se envolvesse em si
Numa nuvem de tempestade cinzenta
A qual, saturada, deitará para fora gotas cristalinas e tão puras
Como o Sangue escuro e espesso que nos corre nas veias
Como o suor salgado que escorre dos nossos corpos
Que bebemos um do outro, que esfregamos em nós
E eu entrego o meu corpo a ti, abandono-me e deixo-me ir
Beijamo-nos, provamo-nos, saboreamo-nos
Numa entrega que eu nunca senti
Em que o prazer vai para além do corpo físico
Em que me fazes sentir coisas que nunca pensei pudesse sentir
Como homem
Porque é um delírio de puro prazer...
É um êxtase só de pensar,
Porque de mim consegues fazer-me abandonar
Porque eu arrepio-me só de sentir o teu toque, ao me lembrar
Como se fosses uma extensão de mim
E eu, de ti
Em espírito, na alma e corpo
Porque toco-te e sinto como se soubesse como te tocar
E fecho os olhos e sinto como se fosses tu a me acariciar...
Arrepio-me, suspiro e só desejo te beijar...
E o teu cheiro é o meu/teu cheiro, nem tenho que o imaginar...
Está em mim, à minha volta, sem eu saber se é em mente
Ou já és tu que te entranhaste (voluptuosa e deliciosamente) em mim...
Que delírio, êxtase, prazer me fazes sentir...
Será possível uma coisa assim...?
Deitados os dois
Enquanto colocas o teu corpo por sobre mim
E vais subindo, beijando e provando
Subindo, e eu dando-me e entregando-me
Subindo, até as tuas coxas estarem ao nível do meu olhar
E, lentamente, as tuas ancas começam a descer
E as tuas pernas afastam-se
E pousas o teu sexo
Por sobre a minha boca
Agarras e esticas os meus braços e...
(Fêmea!, mulher que tanto adoro
Que de tanto querer te faço sofrer!)
Desces o teu ventre e fazes-me dar-te prazer
Com a minha língua e os meus lábios...
Sou teu, entrego-me, sou teu escravo
E toda a minha existência a passaria assim,
A minha boca saciando-te
E eu, sem qualquer alimento que fosse
A não ser o que escorre de ti
Os teus fluidos de Desejo e Prazer, por mim
As tuas coxas apertando-me
Completamente teu
À mercê dos teus movimentos de fêmea
Em cima de mim, na minha boca que é só tua...
E é simplesmente sublime
Quando, no meio do êxtase sensual que sinto,
Me permito olhar para ti
E vejo as tuas expressões do prazer que te estou a dar
O teu peito que quero apertar e tocar
O teu ventre que se liberta e dança
A curva que fixo na anca que lentamente balança
E os teus olhos que olham os meus...
E então (delírio!) libertas-me os braços,
(Instintivamente:
um envolve a tua coxa, afastando-a
para a minha língua, em ti, mais profundo dançar;
o outro estica-se em direcção ao meu céu -tu!-, procurando
o teu peito para o poder agarrar...)
Viras-te um pouco para trás
E uma das tuas mãos procura-me
E encontra-me... latejando de desejo e loucura por ti...
E é linda a dança dos nossos corpos
De prazer, delírio, de êxtase carnal
Sensual, animal
Porque mais nada existe a não ser nós os dois
E como nos entregamos um ao outro, sem Depois
Tu, fazendo todo o meu corpo se contorcer
Usas a tua mão, controlando-me e possuindo-me
Para eu te dar ainda mais prazer
Porque a minha boca e língua se abandonam ainda mais
Fazendo-te saber o que me estás a fazer sentir
E eu sou completamente teu
Na dança do teu ventre
Nas coxas que eu envolvo com os meus dois braços
Para mais dentro de ti a minha língua entrar
Para mais de ti os meus lábios poderem beijar e saborear
E contorço-me de puro gozo de ser totalmente teu
De serem as tuas mãos que me controlam
De serem os teus olhos que me vêem
E só para mim olham...
E então, novamente, me agarras os braços
Deixando-me à tua mercê
No teu sexo que dança na minha boca
No meu sexo que agarraste
Apenas para eu ficar com mais vontade de ti
Deixando-me mais insano
E passaria toda a minha existência assim,
Perdido de mim, louco de te querer,
Entregue em absoluto ao teu prazer
Saciando-te, saboreando-te, amando-te
Sujeito ao que me quisesses fazer...
Teu, numa extasiante embriaguez carnal
Do teu sabor, do teu cheiro, do teu toque
Dos nossos corpos que gravitam um em redor do outro
Em delírio de tanto nos querermos...
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Êxtase...
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