segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Fogo Que Ardia Nas Sombras...

(20-06-2008)

Nas escarpas, sentado estou
Amaldiçoando os Deuses
"Porque me a tiraram?!
Malditos sejam!"
Agarro a minha cabeça com ambas as mãos
Soçobrado, vencido
Choro e soluço
Porque me levaram a minha Adorada...
O corpo dela, deitado no meu regaço...
Os olhos dela...
Os olhos dela eram Fogo que ardia nas Sombras...
Ardiam por mim...
Levanto os olhos cheios de lágrimas
E olho para o Mar...
Que lindo...
O mar e as lágrimas são um só...
Ao longe, tão calmo e tranquilo...
Ali em baixo, onde beija a terra
Rumorejante, furioso de espuma branca...
É tão lindo...
Mas não tão lindo quanto a minha Amada...
Nunca nada foi tão belo quanto a minha Adorada...
Não tão lindo quanto os seus lábios
Mesmo agora, azuis e frios...
Um beijo volto a pousar neles
Outrora tão quentes e macios
Eram Fogo
Fogo que ardia nas Sombras
Por mim
Quentes e húmidos
Buscando o meu carinho...
E os seus cabelos...
"Malditos sejam! Amaldiçoo-vos!"
E desta vez, respondem-me
No vento de tempestade que começa a soprar
Tornando-me quase impossível respirar
Nas gotas pesadas e geladas de chuva
Que se misturam com as minhas lágrimas
Nos meus lábios
E bebo, como se fosse dos lábios da minha Adorada
Os seus cabelos ruivos...
Passo as mãos nos seus cabelos
Como quando o Fogo ardia nas Sombras...
E ela me sussurrava
"Gosto tanto quando me fazes isso, meu Amor..."
Ajeitos-lhe no rosto molhado, frio, morto...
Um beijo lhe pouso na fronte
Como tantas vezes fiz
E mais uma vez passo as mãos nos seus cabelos
E limpo-lhe o rosto da chuva furiosa que cai...
O mar cresce, ruge como um monstro acabado de acordar
Trovões ribombam
Relâmpagos explodem no céu, escuro
Carregado de nuvens
"Malditos sejam!!"
E as mãos d'Ela...
Pousadas sobre o peito
Seguram o que eu lhe dei para todo o Sempre...
O meu Coração.
Sim, o meu Coração, agora junto ao dela, para toda a Eternidade
Nas mãos dela...
Aquelas mãos que tantas vezes me acariciaram, me tocaram o peito
E sentiram-no bater tantas vezes
Acelerado de Fogo, do Fogo que fazíamos arder nas Sombras
"É teu para todo o sempre, meu Amor..."
Aquelas mãos doces, que tantas vezes me arranharam
Intoxicadas de Desejo e dos fumos do Fogo
Agora seguram o que sempre foi d'Ela...
Junto ao peito
Este peito que tantas vezes acariciei
Agarrei
Onde repousava das minhas batalhas
O peito que Ela, tão doce e tão cheia de Desejo,
Me colocava nos lábios
Quente, macio
Fogo que ardia nas Sombras...
Dentro d'Ela, já não há o sopro quente
Que me embalava em sussurros
E quando nos beijávamos, respirávamos como um só...
Só o Coração d'Ela, agora frio
Por isso coloquei o meu, nas mãos d'Ela, junto ao peito
O meu ainda bate, ainda há uma réstia
Do Fogo que fazíamos arder nas Sombras...
O seu ventre não mais será conforto para mim
Nem as suas ancas para mim mais dançarão
Nem voltarei a ouvir os seus gemidos
De prazer
Do nosso Fogo que ardia nas Sombras...
Passo as mãos no seu corpo
Morto, frio, o corpo da minha Amada
Um último beijo
Pouso nos seus lábios
Outrora tão quentes e macios
Buscando os meus e querendo beijar todo o meu corpo...
E um último abraço Lhe dou
Tão forte quanto o nosso Fogo que ainda arde nas Sombras
Apesar da tempestade furiosa, do frio, da chuva
O nosso Amor é mais forte que isso
E é tão forte que a abraço
Abraço bem junto a mim
E sinto o meu Coração, nas mãos d'Ela
Esmagar-se de encontro aos nossos peitos
E tão forte é o abraço
Que sinto as nossas costelas quebrarem
Os ossos rasgarem a carne dos nossos peitos
E interligarem-se, como um só...
Tão forte é o abraço que Lhe dou
Que agora somos um só corpo
O meu sangue quente corre no corpo dela
E os nossos corações são um só
E ela abre os olhos, por um segundo
Olha-me... e sorri...
Como quando o nosso Fogo ardia nas Sombras...
"Meu Amor... Amo-te...
Agora vamos, minha Adorada...
Partamos."
E, juntos os dois, ligados por ossos e sangue
Abraçado a Ela para toda a Eternidade
Saltei para o mar que rugia lá em baixo
Furioso e rugindo...
E no caminho, enquanto o nosso peito respirava
O Nosso último suspiro
Sorri...
O nosso Fogo arderia para sempre nas Sombras...

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