Na Besta que se esconde e se revela no mais hediondo,
No Animal que rasga a carne, nervos e tendões e bebe o sangue,
No Monstro que sou, sem enganos, pois sei que o sou...
Magôo quem mais amo, as unhas cravam-se em quem eu mais quero,
O Desejo é Morte, o Amor é o canibalismo do Ser...
Os meus dedos enterram-se em ti,
Não por Ódio, porque o Ódio não existe
Por insanidade da metade que sou sem ti
Alucino, saio de mim...
Lágrimas...? Correm, como sempre as conheci...
É assim que sei que ainda estou vivo
E magoando-me a mim, ensandeço e cego-me
Quero morder-te, quero comer-te,
Cravar os meus dentes nos teus lábios
Engolir-te e ter-te para sempre dentro de mim...
E tudo o que eu quero é estar deitado, agarrado a ti
Mexer nos teus cabelos ruivos
Beijar-te sem fim...
O teu cheiro... Deus, o teu cheiro...
É como se fosse a minha outra parte de mim
E nunca provei um corpo que me fizesse sentir assim
Fora, tão fora de tudo o que conheci...
Inebriado, enlouqueço e esqueço
Esqueço-me que sou um Homem
E torno-me no Animal que está dentro de mim,
As narinas feridas do perfume que exala de ti
E só desejo rasgar a tua carne,
Abrir o teu corpo, abrir o meu
E, no sangue, na Vida e na Morte,
No Desejo e na Loucura,
Esquecer-me que existe este Mundo
Esquecer-me que sou capaz do pior
E só ficar agarrado a ti... a outra metade de mim.
Nunca tal o senti.
Só nós os dois, os dois sem fim...
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