segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Entardecer no Tejo...

Lembro-me bem deste dia...
Um entardecer no rio Tejo, num dia em que vagueei sozinho o dia inteiro por esta cidade linda que é Lisboa.
Acabei por ir parar ao pontão do Cais-do-Sodré, exactamente para presenciar o pôr-do-sol... e o nascer da noite...
Senti uma paz e tranquilidade enormes enquanto fazia este desenho... Sabia que estava a fazer algo de criativo e a "marcar" na posteridade aquele momento que estava a vivenciar...
Adoro Lisboa e este rio que nos banha a alma...
O Tejo pode nascer em Espanha, mas todos sabemos que o Tejo é "nosso". É aqui que ele desagua, após tanto caminho percorrido e ultrapassado.
E foi dele que partiram os nossos navegadores para Descobrir o Mundo.
Foi ele que tornou Lisboa a "capital do Mundo", outrora.
E foi ele que recuou e investiu sobre Lisboa no Terramoto de 1755, naquele Domingo fatídico de 1 de Novembro, sobre essa "capital do Mundo", destruindo e arrasando edifícios belíssimos e sem par na época, subindo até alturas da actual rotunda do Marquês de Pombal.
Foi ele, também, que obrigou a reconfigurar toda uma zona marcante nessa Lisboa de outrora, no que ainda hoje chamamos Terreiro do Paço, memória colectiva alfacinha desses tempos em que o Palácio Real ali ficava.
E foi ele que, através das obras que esse tal Marquês colocou em marcha, fez nascer o que hoje chamamos a Baixa pombalina.
Foi uma parte da cidade e da nossa História que se perdeu, dessa "outra" Lisboa, para sempre, engolida pelo Tejo...

Pensando melhor...
Talvez o Tejo não seja "nosso", afinal...
Nós é que "somos" do Tejo...

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