quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
Na Névoa...
E num derradeiro abraço se envolveram
Os dois corpos num vulto só
Onde as escarpas, na névoa, do Mar beberam
Ela, a Verdade lhe sussurrou
Ali, onde o Mar começa e a Terra terminou
O Vento as suas palavras devora
E, trémula, a mão dele segura
E um beijo na sua fronte pousou
Ela carrega a Noite no seu peito
E sente-se, na névoa, desfalecer
Nos ombros dele a cabeça repousa
E um derradeiro beijo quer receber
E, pela última vez, ele a beijou
Onde o Mar e a Terra estão unidos
E os seus olhos ficaram húmidos e chorou
Ao beijá-la nos seus lábios pálidos e enfraquecidos
E, então, o corpo dela desfaleceu
E a névoa das escarpas a levou
E dela, ele o último suspiro recebeu
E dentro do seu peito o guardou
Aquele último beijo foi há tanto tempo
Há tanto tempo foi que ele a beijou
Que ele morreu naquele momento
Quando a névoa das escarpas a levou...
terça-feira, 25 de dezembro de 2007
Festim com os Deuses
Celebrando a minha alma no Supremo Banquete
Ofertando-a a mim mesmo num festim na Casa de Pasto do Infinito
Buscando apenas o Templo da Palavra.
A glória divina do Senhor das Estrelas ofusca-me
Ardente no brilho da poeira cósmica atirada aos meus olhos
Nas vagas de um oceano selvagem
As quais se confundem com os vales e ondulações do meu cérebro...
Ahhh...! e na SuperNova acabada de nascer
Chora o Campeão absoluto da Existência Celestial...
Os trovões do Olimpo ressoam ao longe nas gargalhadas de Thor,
E eu busco ainda a Suprema Sacerdotisa do Esquecimento...
Eu e a Grande Irmã do Universo somos um só.
Oferto esta suprema celebração à não-compreensão do Cosmos,
À redundância do pobre Viajante dos Astros Divinos,
Embriagado graças ao néctar do dionísico deus Baco
Imerso em experiências sensoriais/prazeres carnais que ardem em mim!
Ahhh como são belas as filhas de Afrodite, suas discípulas ardentes
Lentamente derramadas em lânguidas curvas por sobre o meu corpo
Ah Divino Óleo de Perdição, Supremo Néctar de Adoração!
E como pode, então, o Comandante desta Nave Celestial não perder o rumo
Nem a Razão?!
E as sibilantes serpentes de Seth vagueiam pelos Jardins do Éden,
(Numa estranha contradição do Imaginariuum)
Brilhantes e infinitas, perdendo-se nos rios de mel e leite
Onde se banham as nuas Virgens Vestais.
Os altos-fornos de Vulcano forjam a Grande Espada!
E Marte, o Omnívoro Deus da Guerra Aries, aproxima-se de mim
E pede para compartilhar da minha taça, e beber também deste hidromel...
"Eu sou o Capitão dos Planetas! Eu sou o Grande Rei-Sangue!" - respondo-lhe.
E então passo-lhe a taça.
"Brindemos a Odin nos Portões de Valhalla!",
E bebo das mãos da bacante Filha da Água...
Na planície turva, ao longe, transformada em campo de batalha
(ou será num leito de Amor?)
A Última Guerreira da Estrada defronta o Novo Desafiador
(ou fazem Amor?)
Buscando os dois o Super-Ego Estelar no azul nuclear de feixes hertzianos.
As Montanhas da Grande Escarpa cantam e eu...
Eu danço e danço e danço e danço... e danço e rodopio
Magneticamente atraído pela minha própria animalidade...!
Ergonomicamente electrificado pela minha bestialidade...!
E é meu o Altar Espiritual...
"Apontem os holofotes para o Lagarto Prateado!
É ele quem chega com o Poeta Eléctrico e o Grande Xamã!"
Hoje é a noite d'O Milagre! Festejem, meus amigos!
As estrelas celestes ainda brilham
(mas todos sabemos que elas já se extinguiram...)
E a Feiticeira da Dança Animal possui-me na Roda de Fogo Ancestral
E eu, o Vagabundo da Eternidade, grito então para os meus Irmãos de Sangue:
"Eu, o Divino Poeta, nada mais sou do que um Demente Pateta...!
Invocai o Supremo Palhaço Dourado das Estrelas
E serei Eu quem aparecerá, cavalgando um cometa!"
E já só distingo os vultos de formas femininas que dançam comigo,
Que me tocam e possuem com os seus corpos de deleite carnal
Que me levam para lá do meu Espírito Animal...
E às Valquírias que me carregam para Aesgaard apenas digo:
"Amem-me, tomem-me, mas não se esqueçam da minha Taça!!"
segunda-feira, 24 de dezembro de 2007
Improptu (4) Kr4ZyGlü3
There was an aqualung
Broken long before the end
of a drowning man.
And I'm travelling alone and wide spread
across the glamorous and glittering landscape.
Can you sense this Millennium?...
Watercolors blur the colors
used by a strange man's mind
To portrait a very precarious,
a very precarious wondering line...
- CrackJackPot!!! -
A showman's shotgun shotjust cut me short!...
Meditate / Pronounciate
Another glimmer on a dislexic perspective
One more TV-dinner on the microwave
Flavorous flowers on a flashy plastic plate
Zap! Bang! A bomb?!...
- "Beam me up, Scotty!" -
Fly, fly, fly away...
You marvellous wonder Human
The Universe's yours to play
Take a look through my 70's spectacular spectacles
Become the pastel ions of a subway express X-ray
Come on, now!...
Join(t) the TechnoStructure!
Celebrate the nouveaux cadeaux!
Machina contemporanea est
So why don't we revolution the rest?...
Or are you still waiting for the best?
Come on! Justify the ink, you sappy human blink!
So what if we all eavesdrop on a conversation
Between dynamo pixies dwelling merryly
On a quantic metaphysical forest?!
And what about that LemonTree experience?!
Was it not sublime?!...
Little devils dance on the warm
Pleasant Spring sun
And like the Rastafari Pope said
"Everything little thing is gonna be alright"!
Furious furry creatures furiously smile
As they watch the spured on spunky sparrows' sparkling slide
And exploding low-SciFi Z-Series earthlings purify...
EH Hop! Another sommersault!
Oh... hi there little post-digital puck
Tell me... is there really a WorldWideWeb plot?
Or do them so called leader smugs just rumble a lot?
"Oh yeah! We want to be free!"
So why can't we be what we want to be...?
Come again, Mr. Marley,
Sing that rebel music once again
We still long for the paradise Revolution
"Oh yeah yeah! We want to be free!"
And a jocund twirl of a tumbler elf is what I want to see
Or maybe just the GoldenPot hidden in the RainbowTree.
Confortable? Good!...
Now let's join the spiritual spacemen
And wave Goodbyeeee! to the material world
That is the only word
"- ... Ground Control to Major Tom...
Check ignition. Is the fuel tank full?
Sight any land?"
"- Major Tom to Ground Control...
Negative. Just floating in my tin can..."
"- Repeat?!"
"- ... just floating in my tin can..."
- TILT! TILT! TILT! -
How does it go little alternative mainstream girl?
"Dr. Jekyll shouldn't have to Hyde?"
Well, if you ask me, it's just another individual whirl ride...
EH Hop! Over the planet I glide
Green, blue and yellow
So many airdrafts to follow...
Brown, red and grey
Oh thermical flows, take me away!
- WELCOME TO THE INTERMISSION! -
It's difficult for the observer not to considere this type of phenomenon
As a personal violation of its inner self.
Remember... There is no political solution
For you, my friend, YOU ARE THE REVOLUTION!
Does it make you smile?
Today, the Future's not just about around the corner
For it became an hidden system file.
- END OF INTERMISSION -
Dress up for the exciting occasion
Make it a chimeric celebration
Forget yourself as the unquiet elves
On your eyes surfride on your brain...
Yeah, that's it!
Follow them 'till the end of your Path
And the mystical rainbow drain...
Now, tell me... Is your essence purified?
Have you seen any peai shamanic MedicineMan lookalike?
Then g{,Ò.ó}ggle, for I am them
In your wide-eyed mind.
No more, nor less,
The Cosmic Captain of the Planets taking a rest...
SSShhhh... It demands secrecy!
Don't look now, but there is
Someone watching us... unbelievely!
I SAID, DON'T LOOK!
Just act "normal" and move very, very slowly...
Good! Now let us check our daily routine radar...
Yep, I'm still ethereal plasma from a far distant quasar.
Don't look so alarmed.
To you, I'm just a voice in your head
Or perhaps your own thoughts instead...
- INTERMISSION! -
Good evening, ladies and gentlemen!
Je suis le Clown Horrible!
Your proud host and presentator of
!=C4$hP0T=!
The billion credits G4m3$h0W!
Is the TV lit?
You can actually win a trip!
And what about that last model car?
It runs smooth and very far!
Shall we go for the boat?
There's nothing like watching the Moon
At sea, and it surelly will float!
!=C4$hP0T=! (*p*l*i*n*g*)
- END OF INTERMISSION -
Sorry for the interruption once again...
It's the eternal problem of having hypocrites
Mingling with the good people we meet... quick!!
Inhale! Exhale!
Good...Come on, little astro-pixel
Do the skyride with me
Never mind those horrible ogres' faces
Looking at you from behind the trees...
Shuuush...! What's that drunkman singing?
"Oh my sweet little liebchen
You are my darling...."
Nice... drunk, lost and still in love.
Afterall there is some hope...
...
Don't forget to be what you mean to be
Even if it makes you my enemy...
Odd words to make you think...
While Spring's about to spring.
A time for madness
A time for your fangs to come down
And your eyes to glaze over
So that the Beast in us can sing
With unmitigated joy
"Oh yes, Ecstasy! I welcome Thee!"
...
Wow... a breeze of pure bliss...
Let me just catch my breath...
You know...? Once in a while
I draw a little smile
Which allows me to let fly
Right through Infinity
On an amazing individual outer-Earth/inner-Space Oddity
Far, far away of this parallel Universe
We call Reality
Just because...
I manage to solve the eternal human problem
We call Gravity...
O Cisne
Como escorreram quando vi o Cisne morrer.
Aquele Cisne que morria só na escuridão...
Desejo o teu sorriso
E, num sonho, concretizo
Tudo o que sempre quis.
"Enfim o descanso...", pensei.
"Finalmente um lago manso...", desejei.
E via o Cisne morrer só na escuridão...
E então as suas asas agitaram o ar!
A Lua, até então calma no lago a brilhar,
Perdeu a sua forma com o Cisne a suspirar!
Anéis excêntricos apareceram na superfície, abrindo-se sem parar,
E então ouvi o seu canto... e, ao longe, os sinos dobrar.
E senti, no meu rosto, lágrimas escorrer
Porque vi o Cisne, então, emudecer...
Lágrimas derramadas por ver o teu sorriso desaparecer...
Nada mais que um reflexo que o Cisne levou ao morrer...
domingo, 23 de dezembro de 2007
Miragens...
Silhuetas que dançam saúdam um novo dia
As sombras movem-se e os contornos tomam forma
Os teus cabelos soltos são jóias que me adornam
Lábios adormecidos acordam por momentos
Sedentos de provar as curvas do teu corpo
Perfumes esquecidos pairam no ar
Desejos que a memória faz perdurar
Estarás aqui? Desejo que não.
Ouço o meu nome e estendo a minha mão
Mas só alcanço o Vazio e descubro, então,
Que as areias do deserto se transformaram na minha ilusão...
Hipnotizado
Paralisado
Embriagado
Enganado
São miragens de uma noite de sonho
As imagens que sobreponho às dunas deste deserto
Nada senão areia e escuridão
Transformadas no teu corpo
Caprichos da minha imaginação...
E as palavras que não se encontram
Para gritar a desilusão
Transformam-se em lágrimas
Na areia, derramada a solidão...
O vácuo preenche algo que já não existe
E então grito para mim,
Insistentemente, "A Esperança persiste!"
No meio deste deserto há um jardim.
É algo que sei pois já estive aqui,
No alvorecer de uma outra noite,
No começo de um outro Fim...
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
A Natureza do Amor
1. A Natureza do Amor: O Amor Romântico
O Amor Romântico é tido como um status ético e metafísico superior, mais do que a atracção física e sexual por si só.
A ideia de Amor Romântico tem origem na tradição Platónica de que o Amor é o desejo pela beleza - um valor que transcende as particularidades do corpo físico. Para Platão, o amor à beleza culmina no amor à filosofia, que persegue a capacidade superior de pensar do Homem.
O Amor Romântico dos Cavaleiros e Damas emergiu nos primórdios da Idade Medieval [França, séc. XI, fine amour), um eco filosófico de ambos os conceitos Platónico e Aristotélico e, literalmente, uma derivação do poeta Romano Ovídio e da sua Ars Amatoria. O Amor Romântico, em teoria, não deveria ser consumado pois tal Amor seria motivado por um profundo e transcendental respeito pela Dama; no entanto, foi activamente perseguido nos feitos de Cavalaria, em detrimento da simples contemplação - um claro contraste com a perseguição sensual persistente das conquistas sobre que Ovídio disserta!
O Amor Romântico moderno retorna à versão Aristotélica do amor especial que duas pessoas encontram nas virtudes uma da outra - "uma alma e dois corpos", como tão poeticamente coloca Aristóteles. É um Amor considerado como de status superior, etica, estetica e mesmo metafisicamente ao apregoado e descrito pelos comportamentalistas/behavioristas e físicalistas.
2. A Natureza do Amor: Físico, Emocional, Espiritual
Há quem defenda que o Amor é físico, i.e., de que o Amor não passa de uma mera resposta física a Outro, por quem o agente se sente fisicamente atraído. Consequentemente, a acção de Amar compreenderá um espectro alargado de comportamentos, o que inclui cuidar, ouvir, estar disponível para, dar prioridade em relação aos outros, e assim por diante (esta seria a visão dos comportamentalistas/behavioristas)...
Outros (deterministas físicos, geneticistas) reduzem todas as considerações sobre o Amor à motivação física do impulso sexual - o simples instinto sexual que é partilhado por todas as entidades vivas complexas, e que pode, no caso dos Humanos, ser direccionado conscientemente, subconscientemente ou pré-racionalmente para um potencial companheiro ou objecto de gratificação sexual.
Os deterministas físicos, que vêem o Mundo como inteiramente físico e que cada evento tem um a prior (causa física), consideram o Amor como uma extensão de constituintes químico-biológicos da criatura humana e é explicado de acordo com esses processos. Segundo esta visão, os geneticistas podem invocar que a teoria de que os genes (o ADN de um indivíduo) formam os critérios determinantes em qualquer escolha romântica putativa ou sexual, especialmente considerando a escolha de um parceiro para o acasalamento. No entanto, um problema surge para esses que proclamam que o Amor é passível de redução à atracção física por um potencial parceiro, ou aos laços familiares de sangue e parentesco que reforçam o amor filial: é que essa definição não capta os afectos entre aqueles que não podem ou não desejam reproduzir-se - poderá então, explicar o eros (do Grego erasthai, termo usado para referir a parte do Amor constituída por um desejo intenso e apaixonado por algo; também conotado com desejo sexual, daí a noção moderna de 'erótico', também do Grego erotikos), mas não philia (uma simpatia ou apreço pelo Outro) ou agape (referente ao amor paternal de Deus pelo Homem e deste por Deus, podendo também incorporar um amor fraternal por toda a Humanidade).
O behaviorismo, que ramificou da Teoria da Mente e rejeita o Dualismo Cartesiano entre Corpo e Mente, defende que o Amor é constituído por uma série de acções e preferências que são observáveis no próprio e nos outros. A teoria behaviorista de que o Amor é observável (de acordo com os traços comportamentais reconhecíveis e correspondentes aos "actos de amor") sugere também que o mesmo é teoreticamente quantificável do seguinte modo: que A age de uma certa maneira (acções X, Y, Z) quando perto de B, mais do que age quando perto de C, o que sugere que A 'ama' mais B do que C. O problema com a visão comportamentalista do Amor é que é susceptível à crítica pertinente de que as acções do indivíduo não expressam necessariamente o seu estado interior ou as suas emoções - A pode ser, na realidade, um excelente actor!
Os behavioristas radicais, tal como B.F. Skinner, argumentam que os comportamentos observável e não-observável, tais como os estados mentais, podem ser analisados a partir de uma conjuntura comportamentalista, tendo em conta as leis do condicionamento. Segundo esta perspectiva, o indivíduo pode 'apaixonar-se' ("fall in love") sem ser reconhecido pelo observador casual, embora o acto de 'estar apaixonado' ("being in love") possa ser examinado através dos acontecimentos e condições que conduziram a que o sujeito fosse levado a crer que 'amava': o que pode incluir a teoria de que 'estar apaixonado' será uma reacção fortíssima a um conjunto de condições altamente positivas no comportamento ou presença do Outro.
O Amor expressionista tem semelhanças com o behaviorismo, tendo em conta que o Amor é considerado uma expressão de um conjunto de actos dirigido a um 'amado', que poderão ser comunicados através de linguagem (palavras, poesia, música) ou comportamento (oferecer flores, doar um rim), mas sendo o dito cujo um reflexo de um estado emocional interno em detrimento de uma exibição de respostas físicas a estímulos.
Ainda nesta linha de pensamento, há quem considere o Amor como uma resposta espiritual, o reconhecimento de uma alma que completa a própria alma, complementando-a ou aumentando-a. A visão espiritualista do Amor incorpora noções místicas, bem como românticas tradicionais, mas rejeita as explicações comportamentalistas e físicalistas.
Aqueles que consideram o Amor como uma resposta estética defendem que, o mesmo, é reconhecível através do sentimento consciente e emocional que provoca no indivíduo, embora não possa ser captado em termos de linguagem descritiva e racional. Será, sim, para ser captado através de metáforas ou música.
3. Amor: Ética e Política
Os aspectos éticos no Amor envolvem a adequação/propriedade moral do Amar, bem como das formas que tal deve ou não deve tomar. Este campo levanta questões tais como: será eticamente aceitável amar um objecto, ou amar-se a si próprio? Será o amor a si próprio ou a outro um dever? Deverá o sujeito mentalmente ético dirigir o seu amor para todas as pessoas de uma forma igual? Será o amor parcial moralmente aceitável ou permissível (i.e., não necessariamente 'certo' mas 'desculpável')? Deverá o Amor só envolver aqueles com quem o agente poderá encetar uma relação com significado? Deverá o Amor aspirar a transcender o desejo sexual ou as aparências físicas? Poderão as noções de amor sexual e romântico aplicar-se a parceiros do mesmo sexo?
Algumas das questões levantadas extravasam naturalmente para a ética do sexo, que lida com o adequamento da actividade sexual, reprodução, actividades hetero e homossexual, e assim por diante.
Na área da filosofia política, o Amor pode ser estudado a partir de uma míriade de perspectivas. Por exemplo, alguns podem perspectivar o Amor como uma expressão de dominância social de um grupo (machos) sobre outro (fêmeas), na qual a linguagem socialmente construída e a 'etiqueta' do Amor é concebida para reforçar o poder masculino e retirar poder ao grupo feminino. Segundo esta teoria, o Amor é produto do Patriarcado e os seus actos análogos à visão de Marx sobre a Religião ("O Ópio do Povo") de que o "Amor é o Ópio das Mulheres". É óbvio que esta teoria é muito mais atractiva para Feministas e Marxistas, os quais vêem as relações sociais (e toda a panóplia de cultura, linguagem, política, instituições) como reflexo de estruturas sociais mais profundas que dividem as pessoas em classes, sexos e raças.
...
Aqui ficou, então, um pequeno resumo dos principais elementos que encontrei sobre a Natureza do Amor.
Verifiquei, nesta busca de conceitos e variadas explicações, que o Amor é algo de tão grandioso e importante para o Ser Humano e suas considerações existenciais emocionais e intelectuais que alcança campos filosóficos variados, mormente teorias da Natureza Humana, do Próprio e da Mente.
A Linguagem do Amor é igualmente vasta e abrangente a várias culturas e Línguas humanas (envolvendo mesmo a Linguística na asserção da noção do conceito e sua expressão em cada idioma humano existente), merecendo cada uma delas um estudo mais aprofundado a fim de melhor podermos entender este maravilhoso "ideal" a que chamamos... AMOR.
E tudo isto por Amor a Alguém, numa tentativa (que descubro agora ter sido vã) de tentar entender e racionalizar a minha questão porque Amo quem eu Amo e só a Ela desejo?
(Mas continuo sem saber explicar porque Amo quem eu Amo, e porque continuo a Amá-la e a desejar estar com Ela, nem esta Tristeza de não estar com Ela... o Meu Amor)
segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
Acredita em Mim...
Dias sem a Tua beleza
Mas luto e estou todos os dias aqui...
Estou a dar tudo o que tenho
Amor, eu só Te quero a Ti
O meu coração bate
Mas não o sinto sem Ti
Por favor, acredita-me
Pois só preciso que Tu
Acredites em mim
Para os Teus sonhos verdade tornar
Junto a Ti
Tudo farei para o Paraíso encontrar
E só desejo que estejas junto a mim
O meu coração bate
Mas não o sinto sem Ti
Por favor, acredita-me
Pois só preciso que Tu
Acredites em mim...
sábado, 15 de dezembro de 2007
Um Amor de Vida Real... A Ti
Escrevo textos aqui no blog, poesias, escrevo poemas para Ti... Escrevo e deixo para a posteridade o que sinto, o que me fazes sentir... Enfim, qualquer coisa que me faça sentir ligado a Ti de alguma forma.
Sonho contigo todas as noites e não sei como o evitar. Porque Tu estás dentro de mim, fazes parte de mim, e nem a distância consegue impedir que o meu coração e a minha mente estejam ligados a Ti.
Como fazer para evitar que me apareças todas as noites nos meus sonhos...? Neles falo contigo todas as noites..., vejo-te, beijo-te e abraço-te e... fazemos amor...
Estou ligado a Ti até ao final das nossas vidas. Que, um dia, ao olhares para trás, me recordes com carinho e que saibas que sempre Te Amei, que Te Amo e que sempre Te Amarei... ATÉ AO INFINITO E POR TODA A ETERNIDADE!
É algo impossível de descrever... AMO-TE TANTO! E TANTO QUE TE AMO...! Que triste... Nunca o saberás. Deixarei esta pequena prosa escrita a negro contra um fundo negro... Quem sabe, um dia alguém a leia e venhas a saber...
Um Amor que descubro ser maior que a Vida... Pois este será o meu Testamento para Ti:
A Ti, Te deixo o meu Amor.
A Ti, Te deixo o meu coração.
A Ti, Te deixo o meu calor.
A Ti, nunca deixarei de Amar.
A Ti, da minha Alma sou doador.
A Ti, sempre continuarei a desejar.
A Ti, Amar-Te-ei sempre com todo o meu ardor.
Falaste que "amor de novela" não existe. Pois não, nem eu nunca disse isso. Mas existe o que sinto por Ti, e não é "amor de novela"...
Sempre me recusei a ver novelas por alguma razão... O que chamam de "Amor" nessas novelas não passa disso mesmo.... de novela.
Existe este Amor de "vida real", de altos e baixos, de obstáculos a ultrapassar e desafios a vencer, mas para isso... eu sozinho não basto.
Existe este Amor de "vida real" em que os dois lutando por ele nunca acabará, mas para isso... eu sozinho não basto.
Existe este Amor de "vida real", vivido e sentido e real como a Vida, imperfeito como ela, mas que existe e sempre existirá, tal como ela... mas para isso... eu sozinho não basto.
Pudera eu fazer-Te entender e ver isto, e juntos resolveríamos tudo com a força do nosso Amor, lutando como se luta nesta Vida...
Dizes-me que "choras de saudade"... O que é pior? Chorar uma Saudade que nunca se poderá recuperar, ou chorar uma Saudade/Amor pela qual se pode lutar e te recusas simplesmente sequer a considerar...?
Deixo para a posteridade esta questão...
Nenhuma mais eu quero. Nenhuma mais desejo.
O Murmúrio da Noite...
Caem para abismos silenciados
E os lobos afiam as garras
Esta é a altura em que tenho medo e choro
Esta é a altura em que quero correr
Em direcção a Ti
Pois capturaste-me
No teu espírito
Fui capturado para dentro de Ti
A luz desaparece das janelas
E as velas apagam-se... mas não há vento
A tristeza aproxima-se lentamente
E choro e quero correr para Ti
Pois capturaste-me
No teu sorriso
Fui capturado para dentro de Ti
E assim passam os dias do arco-íris perdido
E eis que surgem as noites das estrelas que dançam
E subo, escalo montanhas
E, no céu, relâmpagos apontam para Ti
No caminho, tropeço mas corro sempre
Em direcção a Ti
Pois capturaste-me
Nos teus olhos
Fui capturado para dentro de Ti
E chega o reino da noite aos céus
E os mares estão embriagados e rugem
Carruagens de Anjos colidem e eu choro
Corro e correrei sempre
Em direcção a Ti
Pois capturaste-me
Na tua alma
Fui capturado para dentro de Ti...
(Não é por não Te ver que Te deixo de Amar...)
Nos Meus Braços...
E o Sol ilumina-a tão radiantemente
Quisera eu que os meus desejos se tornassem realidade
E o meu coração não chorasse
Não há Felicidade sem Ela
Pois é Ela
Quem eu Amo, quem eu Amo de Paixão
Quero-te tanto nos meus braços
Junto ao meu coração
E tanto luto todos os dias
E o meu coração não A esquece nunca
E continua a verter lágrimas na solidão
Porque é Ela a minha adoração
Não há Felicidade sem Ela
Pois é Ela
Quem eu Amo, quem eu Amo de Paixão
Quero-te tanto nos meus braços
Junto ao meu coração...
(Não é por não Te ver que Te deixo de Amar...)
Senhora do Meu Coração...
Prometes não contá-lo a mais ninguém
Guarda-lo-ás e mantê-lo-ás vivo, em ti?
Porque este vazio no meu coração
Não me deixa dormir
E não consigo estar sem ti ao meu lado
Neste mundo em rotação
Porque ele não pára de rodar
E o meu coração não pára de bater
Por tanto Te Amar
Porque o Amor vence tudo
E nesta intersecção de cruzamentos horizontais e verticais
O único caminho de que estou certo
É o que me leva em tua direcção
Como o som das asas
Do voo de uma ave
Que, no Ar, te transporta a minha oração
Sem nunca nem olhar para o chão
Até Ti e ao teu coração
Pois o Amor é como uma queda d'água
E a corrente do rio que se apressa em cima
É exactamente a mesma que acalma depois de cair
E o meu rio segue sempre em tua direcção
Pois o Amor vence tudo
E tudo conquista o Amor
E tu és a Senhora do meu Coração...
(Não é por não Te ver que Te deixo de Amar...)
sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
Mais Um Dia...
Contigo dentro de mim
Estes dias são os mais solitários que alguma vez tive
Mais um dia sem ti
E dias assim deveriam ser banidos
São dias que não quero mais
Os dias mais solitários da minha vida...
E dias sem ti
Nem deveriam existir
São dias dos quais nunca sentirei falta
Mais um dia solitário
A pensar em ti
E a olhar a Lua sozinho
São os dias mais solitários da minha vida...
E se partires, quero partir contigo
E se o Mundo acabar, quero estar ao teu lado
Toma a minha mão e leva-me contigo
Para longe dos dias mais solitários da minha vida...
Mais um dia sem ti...
Mais um dia em que agradeço ter sobrevivido...
(Não é por não Te ver que Te deixo de Amar...)
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
Improptu (3) KoZMiK
Eu sou o Capitão dos Planetas e cavalgo a Grande Serpente Sónica da Felicidade!
A Totalidade do Cosmos é a Felicidade Universal.
Seres radiosos de Alegria dançam nas costas do Grande Dragão... Por todo o Cosmos.
Eu sou eles, o som, as cores, sou Tudo em mim, o meu corpo não é meu...
Viajamos juntos... Damos e partilhamos.
Levantamos voo... E para onde voo/vou...
Para ao pé de Ti.
E danço para Ti como dançaria para uma Deusa, única, linda, bela...
Écrans de transe interactivo são a cabeça da Espiral Ascendente.
Eu sou vácuo radioso. Sou sombras tridimensionais, iluminado por todas as cores... As que existem e as que inventamos, cores que são som, emanações de pura energia...
Consegues ver-me?
E danço aqui, cavalgando no Cosmos, possuído pelas visões da Felicidade Eterna!
Cores, vibrações, calor... Preenchem-me.
O bafo reconfortante da Serpente atravessa o meu corpo...
Quero dançar para sempre!
O Fogo! Sempre o Fogo...! E é nele que me perco em mim...
Vultos sonoros à minha volta...
O Céu é a Abóbada Celeste, o écran do Planetário, o meu Espelho de Visões...
E sinto-os chamar-me... Eles estão ali, os Espíritos Nocturnos da Floresta.
Também os vês?
Eles chamam-me... Dizem-me "Vem..."
Os seus braços alongam-se pela Névoa Prateada, procurando tocar-me...
Eles querem levar-me, Irmãozinho... E eu não tenho bem a certeza de querer ficar aqui, sabes...?
Vou para dentro... É melhor.
A minha Serpente Sónica está algures por ali...
Fogo! Calôr! O bafo de múltiplos Dragões embriaga-me...
Sou possuído novamente... Espíritos Ancestrais escolheram-me.
Eles estão aqui, à minha volta...
Eu não estou no meu corpo...
Tudo feixes de luz, eléctricos, xamânicos, embriagantes, o som é o corpo, o equilíbrio está à frente, adiante, leve...
Milhentas Serpentes atravessam-se em mim... Umas chegam, outras partem... O som possui-me sempre...
Eu sou Fogo! Fogo...!
E, de repente, Ele!
Ele! aparece... ali. Como que um comic-relief, um ser alucinado à mesma velocidade que eu, mas de uma outra dimensão.
Ele! parece existir só para mim, como um Palhaço numa festa de anos!
E quando, finalmente, me pareço esquecer d'Ele!... Ele! aparece, ainda mais fantástico, inútil e ridiculamente pertinente!
Que fazes tu aqui, Ser Alucinado de Neve?
Diz-me só se estás à mesma velocidade que eu...!
(Espera um bocadinho! Vou ali!) ------------------------------------------------------->
Total Ausência de Corpo... c'est finni. [Ponto Final. Parágrafo]
Improptu (2) LiQüiD

A água acolhia-o, e ele sentia-se tal como antes do seu primeiro choro neste mundo. Ela aceitava-o como seu filho.
Os penhascos desapareciam por cima do lençol desfocado de azul marinho. Sentia a água a entrar-lhe nos pulmões, salgada. Para logo sentir que fazia parte dela...
Sentia os limos e as algas tocarem-lhe nas pernas, envolvendo-o lentamente e chamando-o para um abraço envolvente e escorregadio.
A sua alma não conseguia perceber por que lutava o seu corpo, desesperadamente, por se manter à superfície, esbracejando furiosamente em direcção ao disco brilhante no céu.
E olhou, uma vez mais, para cima.
Pássaros. Gaivotas, talvez. Uma delas mergulhou em direcção a si e penetrou na água, mesmo ao seu lado. Ele olhou para ela. Numa fracção de segundo, julgou vê-la olhar para ele, igualmente, enquanto agarrava com o bico o peixe que buscava. Depois, deixou-o novamente consigo mesmo e voltou a transformar-se num ponto negro desfocado acima da linha de água.
Ao seu corpo começavam a faltar as forças para lutar. A Paz estava próxima...
Lá em cima, asas batiam silenciosamente. Não eram pássaros. Agora eram, tão somente, pontos que se mexiam e desapareciam, tranquilizadores, através do líquido celeste derradeiro...
Cardumes de peixes multicolores rodeavam-no, acompanhando-o na sua viagem, dançando ao som abandonado do seu silêncio.
"Reflexos de prata... Os peixes são Anjos..."
Foi o seu último pensamento.
Lá em cima, agora, só a água...
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
Improptu (1) S3Ri4L [M18]
Porque teria o Sol que se pôr? Talvez fosse dormir. Afinal, também precisava de descanso. O dia todo a brilhar sempre, em qualquer parte do Mundo... Mas não lhe era nunca permitido descansar.
E continuava a olhar para ele à medida que desaparecia. Deixava-se banhar pelos jorros constantes, cada vez mais fracos, do amarelo doce do entardecer.
"Não vás...". Mas ele foi-se.
Todos os dias a mesma coisa. E todos os dias ele suspirava. Porque o deixava ele? Não saberia ele que a sua luz o aquecia e reconfortava? E todos os dias ele abandonava-o... A sua luz, o seu calor.
O mar escurecia rapidamente. Iria tudo dormir, descansar. Pelo menos aqui, nesta parte do Mundo. "Porque o Sol está a brilhar para outros, agora" .
Sim, tudo e todos descansavam... Todos. Menos ele. Ele iria cumprir o que lhe tinha sido determinado pelo Destino.
Apenas O tinha visto uma vez, ao Destino. Tinha o rosto escuro, escondido pelo manto que usava. E falou-lhe sem pronunciar uma palavra.
Havia quem não acreditasse no Destino mas, neste momento, o que interessava realmente isso...? Bastava-lhe saber que Ele existia...
...
Na cave escura apenas uma brecha de luz... E um par de olhos aterrorizados iluminado por ela. Ainda cheirava a gasolina e gases carbónicos no ar. A moto-serra estava pendurada, algures naquela escuridão, do outro lado, sempre presente. Só se ouviam as gotas de sangue a cair no chão empapado e frio...
...
"Já se foi...". Um esgar repentino no rosto... "Esqueci-me de limpar a lâmina..."
- Boa noite, Sol... - disse ele.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Trilogia "O Guerreiro"
O ESQUECIDO (1)
Agora que caminho no meio deste campo de batalha,
Por entre os corpos de valentes guerreiros que jazem no chão estendidos,
Que por algo combateram e por isso morreram,
Penso "Quem se lembrará destes esquecidos?"
Naquela madrugada, preparavam as suas armaduras
E desfraldavam as suas bandeiras
Lembravam histórias de outros tempos
Recordações ardiam com as fogueiras
Encontros derradeiros de jovens com as suas amadas
Beijos de amor trocados e promessas juradas...
Quantos deles voltarão...?
O soldado solitário que, na sua marcha acompanhado,
Se recorda do que sentiu quando soube que fôra abandonado
"O que sinto e o que sou,
Nem eu conheço o meu destino,
Não sei para onde vou,
Só sei que não quero ser esquecido..."
As lágrimas do valente lavram a sua solidão
"Combaterei pelo sangue que derramei do coração"
A aurora aproxima-se, o romper de um dia que nasceu para a dôr
Jovens donzelas pedem aos seus amados, num olhar
"Amo-te, regressa por favor..."
Nesta hora ninguém sabe quem será o esquecido...
No meio da névoa que acompanha a marcha
O soldado pensa para si "Atrever-me-ei a viver?"
E o ancião na berma da estrada pergunta
"Não sabes que te vão esquecer?"
Jovens orgulhosos por combater, e ansiosos por conhecer
A honra da batalha, ou a glória de morrer...
Ao longe o inimigo, também ele na sua armadura
Orgulhoso e altivo, convencido que não será esquecido...
Finalmente o choque de corpos que ninguém desejava conhecer
Olhares de tristeza de quem, afinal, não queria morrer
A aurora conhece os moribundos, no ar a sua agonia
Ao longe, uma criança, assistindo ao nascer sangrento do dia...
Valentes guerreiros, que agora vejo caídos
Vítimas do Destino, eles serão os esquecidos
O Sol vai alto na manhã, a batalha terminou
Caído no chão, aquele que morreu e o chorou.
Ao longe, o olhar do ancião
"Haveis morrido, lutadores destemidos,
Triste sina, porque foi em vão...
Afinal, só eu me recordarei dos esquecidos..."
Como será que o consigo ver
Se afinal me descubro no chão?
No entanto estou em pé...
Quem será o Ancião?
Por tudo o que lutei...
Afinal onde estou?
Tropeço nestes corpos,
Não me lembro de quem eu sou...
Serei eu O Esquecido...?
O INDESEJADO (2)
No dia em que nasceu, a alegria reinava no ar
Esta criança, que chorava, seria para cuidar e amar
Mas a criança foi crescendo
Com um brilho ignorado no olhar
E aos céus abertos à sua revolta
Ajoelhava-se para chorar
O amor e alegria desapareceram do seu lar
A sua revolta crescia por dentro
Mas não era ainda altura para a libertar...
O jovem submeteu-se às regras da Vida
Obedecendo-lhe porque devia
Mas os trovões nas montanhas, ao longe,
Gritavam a sua rebeldia...
Com um olhar distante, ele sabia
Que as viria a conhecer um dia...
E, um dia, quando a casa tornava
Não encontrou o que sempre tinha procurado
Foi-lhe dito que já não existia
Descobrira que fôra abandonado
E, num grito aos céus, irado
Fez um voto para todo o sempre
"Em tudo o que fizer, em tudo o que eu viver
Nunca, mas nunca, mostrarei o que sentir"
E então partiu... assim o decidiu.
O jovem fez-se um homem amargo
Que em muitas batalhas combateu
Carregava feridas e cicatrizes,
Mas só lembrava quem morreu...
Um dia, encontrou o olhar mais doce
Que no seu mundo amargo poderia existir
Desde há muito que este rosto cansado
Não sabia o que era sorrir...
Cercado por doçura, rodeado por ternura
Sentiu-se desejado, esqueceu-se da amargura...
O tempo passou e o brilho no seu olhar voltou
Mas, lembrando-se do voto que tinha jurado cumprir,
Um dia, com sofrimento no coração, resolveu novamente partir...
Histórias dos seus feitos recordavam-no por vencer todos sem temer
Mas também se soube de um combate derradeiro
Disseram que o viram desaparecer...
Chegou o dia em que o homem, já velho,
Retornando às suas memórias
Lembrava-se de um Amor
Juntamente com as suas vitórias
"Em tudo o que fiz, em tudo o que vivi,
Nunca mostrei o que senti.
Foi a vida que decidi...
Descubro agora que a perdi."
Regressando, então, ao que tinha abandonado,
De lágrimas nos olhos e coração apertado,
Descobriu aquele olhar, ainda mais doce do que recordava
Pois, pelo seu Amor, ainda era desejado...
O DESTERRADO (3)
Um Cavaleiro Negro, nesta noite escura,
Continua a cavalgar...
Não sabe por quê, nem sabe o que procura.
A chuva que cai molha-o sem piedade
O rosto, escondido pela armadura,
Apenas chora as lágrimas da sua verdade.
Desde que se lembra que sempre lutou
Mas já não se consegue lembrar porque começou
Tudo o que lhe quiseram impôr
Combateu-o sem temor
Pois sempre soube no seu coração
Que tudo o que vem de dentro tem mais valor
Quiseram-no privar dos seus sentimentos
Mas teve a coragem de se lhes opôr
Porque privarem-no do que sentia
Era privarem-no do que ele vivia
Quiseram-no marcar, mas ele não o deixou
Porque ser o que não era foi sempre contra o que ele lutou
A partir daquele dia
Quando lhe quiseram roubar a vontade
E decidiu então honrar a sua liberdade
De armadura negra e espada empunhada
Cavalgava pela noite, gritava para o Nada
Debaixo de um céu escuro, de punhos cerrados
Sentia a chuva nos seus olhos marcados
De lágrimas de fúria, da guerra que não podia vencer
Da certeza absoluta das batalhas que ainda iria combater
Atreveu-se a viver sem saber o que esperar
Algo naquele horizonte escuro fê-lo continuar a lutar
"Afinal sempre fui marcado.
Sou aquele que não perdoam por se atrever a viver
Se de tal sou acusado, não têm por que temer
Porque me declaro culpado
E o meu coração não quer ser perdoado!"
Este é o Cavaleiro Negro renegado
Que ouviu a sua sentença
"Se não te arrependes do que és acusado,
Serás, então, para todo o sempre desterrado!"
E o Cavaleiro assim o fez
Desterrado da sua terra
Olhou para trás uma última vez
"Não importa a distância, sempre tão perto...
Nada mais me interessa, nada é mais certo!
Talvez soubesse que seria assim....
Afinal, este é o meu caminho desde que o escolhi.
Não me interessa o que possam pensar,
Não me interessa o que possam dizer,
Pois nada é mais sincero
Do que tudo o que eu possa sentir!"
E, assim, o Cavaleiro Negro continua a cavalgar nesta noite escura
Mesmo sabendo por quê, não sabe ainda o que procura...
A única certeza desta noite é a chuva que cai
E dilui as lágrimas que molham o rosto escondido pela armadura...
sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
::: GreEn P!sS ::: - xXx PunK stilL RuleS OK! xXx

::: GreEn P!sS :::
xXx PunK stilL RuleS OK! xXx
01. Underground Beauty Spot
02. The Focused Statement As A Song
03. Placebo Pod
04. Paw
05. Aquarium Plankton
06. Madman's Birthday
07. Yokel
08. Dead End
Eram os "loucos" anos 90! Eu andava na universidade, a curtir os meus 'vinte-e-poucos' e a celebrar a Vida e a boémia, pois então!
Sempre sonhei ter uma banda e gravar qualquer coisa, pois esta paixão que tenho pela música sempre esteve presente. Lá arranjei maneira de me orientar de uma guitarra eléctrica, colocar um anúncio no jornal Blitz e a as coisas foram-se encaminhando...
Conheci o Henrique, um gajo espectacular, que também tocava guitarra e tinha quase os mesmos gostos musicais que eu. Complementámo-nos e entendemo-nos perfeitamente na composição das canções. Se um tinha uma ideia, o outro logo dava continuação a essa ideia por mais louca que parecesse... O João, nosso 1.º baterista, e que era doido pelos Cradle Of Filth e outro gajo espectacular! Baixista é que era "grupo"... Muito difícil de encontrar, pois todos por aquela altura queriam era ser guitar-heroes! hehehehe
Fomos ensaiando (mesmo sem o baixista) e as músicas e ideias que tínhamos começavam a tomar forma. Havia ali aquele 'clic'. Sentíamos que tínhamos umas canções engraçadas e com potencial...
Em Janeiro de 1995, lá conseguimos juntar o dinheiro suficiente para gravar a nossa 1.ª demo-tape, MindGlowin'Stoners'ShedPenuBaby. A voz, guitarra e baixo ficaram por minha conta; a outra guitarra, por conta do génio do Henrique; e a bateria, o nosso grande João Pires (não o do vinho hehehe)!
Gravámos umas quantas cópias e fomos entregando a tudo o que era estação de rádio e espaços de concertos na Lisboa daquela altura. As nossas músicas passavam nos programas de rádio especializados e foi assim que apareceu o nosso baixista, finalmente! O Guilherme ouviu-nos na rádio e sabia que andávamos à procura de alguém para a viola-baixo. Em boa hora apareceu! Tínhamos gostos musicais semelhantes e era mais uma cabeça a dar ideias.
Com a rádio e o passa-palavra, fomo-nos tornando gradualmente conhecidos no circuito alternativo nacional e dando os nossos concertos. Espectáculo!! Até no mítico Johnny Guitar tivémos oportunidade de tocar! Simplesmente lindo!
Durante esse ano de 1995 foram inúmeros os concertos! Estávamos a viver um sonho! As músicas iam aparecendo naturalmente, novas ideias fervilhavam, os concertos não paravam...!
E chegou, então, Janeiro de 1996! Íamos gravar a nossa 2.ª demo-tape, SkankFuOrTheAncientFightingArtOfTheMujahedinGardener! E a luta que foi escolher as músicas a gravar?? Tínhamos tantas e tantas que queríamos gravar! Ainda hoje, quando ouço as que gravámos, lembro-me sempre das outras 10 ou 11 que tanto sucesso faziam nos concertos...!
As nossas ideias tinham progredido, sentíamo-nos mais seguros de nós e notava-se uma evolução em termos de composição nas nossas músicas. Íamos gradualmente misturando mais influências pessoais de cada um no cadinho de imaginação e criação, complementando-nos na perfeição. O nosso som "próprio" começava a emergir...
E até Junho foi uma loucura! A 2.ª demo fazia sucesso e, se aceitássemos todos os convites que nos faziam para tocar, era um concerto todas as noites! Até Maio/Junho desse ano, fomos tentando conciliar as nossas "carreiras" universitárias com as solicitações crescentes para concertos... tudo parecia bem encaminhado.
Com o sucesso crescente e a nossa exposição a aumentar, tivémos um convite fenomenal para aquela altura: os Quinta do Bill tinham-nos convidado para fazer a 1.ª parte de um concerto deles em Tomar, em Junho!! (de lembrar que eles são de Tomar, por isso, ia ser daqueles concertos em que o público já estava "conquistado" antes mesmo de tocarmos...)
Quis o destino que o Rui tivesse férias marcadas para aquela altura e que não as pudesse desmarcar...
Desilusão total e tristeza... não conseguiríamos arranjar um baterista novo para o concerto num espaço de 2/3 semanas, ainda por cima com as inúmeras músicas novas -e mais complexas em termos de estilo de percussão- que vínhamos compondo...
Simplesmente parámos. Já não tínhamos paciência para andar à procura, outra vez, de um novo baterista. A isso juntou-se a época de exames nas nossas universidades e nem tínhamos tempo para ensaiar...
E assim foi... Bons tempos, bons amigos, boas memórias, umas músicas gravadas, muitos concertos dados e um sonho cumprido!
Mas aguardem, que sinto o "bichinho" a mexer outra vez, ao fim de tantos anos...!
