terça-feira, 18 de dezembro de 2007

A Natureza do Amor

1. A Natureza do Amor: O Amor Romântico
O Amor Romântico é tido como um status ético e metafísico superior, mais do que a atracção física e sexual por si só.

A ideia de Amor Romântico tem origem na tradição Platónica de que o Amor é o desejo pela beleza - um valor que transcende as particularidades do corpo físico. Para Platão, o amor à beleza culmina no amor à filosofia, que persegue a capacidade superior de pensar do Homem.

O Amor Romântico dos Cavaleiros e Damas emergiu nos primórdios da Idade Medieval [França, séc. XI, fine amour), um eco filosófico de ambos os conceitos Platónico e Aristotélico e, literalmente, uma derivação do poeta Romano Ovídio e da sua Ars Amatoria. O Amor Romântico, em teoria, não deveria ser consumado pois tal Amor seria motivado por um profundo e transcendental respeito pela Dama; no entanto, foi activamente perseguido nos feitos de Cavalaria, em detrimento da simples contemplação - um claro contraste com a perseguição sensual persistente das conquistas sobre que Ovídio disserta!

O Amor Romântico moderno retorna à versão Aristotélica do amor especial que duas pessoas encontram nas virtudes uma da outra - "uma alma e dois corpos", como tão poeticamente coloca Aristóteles. É um Amor considerado como de status superior, etica, estetica e mesmo metafisicamente ao apregoado e descrito pelos comportamentalistas/behavioristas e físicalistas.

2. A Natureza do Amor: Físico, Emocional, Espiritual
Há quem defenda que o Amor é físico, i.e., de que o Amor não passa de uma mera resposta física a Outro, por quem o agente se sente fisicamente atraído. Consequentemente, a acção de Amar compreenderá um espectro alargado de comportamentos, o que inclui cuidar, ouvir, estar disponível para, dar prioridade em relação aos outros, e assim por diante (esta seria a visão dos comportamentalistas/behavioristas)...

Outros (deterministas físicos, geneticistas) reduzem todas as considerações sobre o Amor à motivação física do impulso sexual - o simples instinto sexual que é partilhado por todas as entidades vivas complexas, e que pode, no caso dos Humanos, ser direccionado conscientemente, subconscientemente ou pré-racionalmente para um potencial companheiro ou objecto de gratificação sexual.
Os deterministas físicos, que vêem o Mundo como inteiramente físico e que cada evento tem um a prior (causa física), consideram o Amor como uma extensão de constituintes químico-biológicos da criatura humana e é explicado de acordo com esses processos. Segundo esta visão, os geneticistas podem invocar que a teoria de que os genes (o ADN de um indivíduo) formam os critérios determinantes em qualquer escolha romântica putativa ou sexual, especialmente considerando a escolha de um parceiro para o acasalamento. No entanto, um problema surge para esses que proclamam que o Amor é passível de redução à atracção física por um potencial parceiro, ou aos laços familiares de sangue e parentesco que reforçam o amor filial: é que essa definição não capta os afectos entre aqueles que não podem ou não desejam reproduzir-se - poderá então, explicar o eros (do Grego erasthai, termo usado para referir a parte do Amor constituída por um desejo intenso e apaixonado por algo; também conotado com desejo sexual, daí a noção moderna de 'erótico', também do Grego erotikos), mas não philia (uma simpatia ou apreço pelo Outro) ou agape (referente ao amor paternal de Deus pelo Homem e deste por Deus, podendo também incorporar um amor fraternal por toda a Humanidade).

O behaviorismo, que ramificou da Teoria da Mente e rejeita o Dualismo Cartesiano entre Corpo e Mente, defende que o Amor é constituído por uma série de acções e preferências que são observáveis no próprio e nos outros. A teoria behaviorista de que o Amor é observável (de acordo com os traços comportamentais reconhecíveis e correspondentes aos "actos de amor") sugere também que o mesmo é teoreticamente quantificável do seguinte modo: que A age de uma certa maneira (acções X, Y, Z) quando perto de B, mais do que age quando perto de C, o que sugere que A 'ama' mais B do que C. O problema com a visão comportamentalista do Amor é que é susceptível à crítica pertinente de que as acções do indivíduo não expressam necessariamente o seu estado interior ou as suas emoções - A pode ser, na realidade, um excelente actor!
Os behavioristas radicais, tal como B.F. Skinner, argumentam que os comportamentos observável e não-observável, tais como os estados mentais, podem ser analisados a partir de uma conjuntura comportamentalista, tendo em conta as leis do condicionamento. Segundo esta perspectiva, o indivíduo pode 'apaixonar-se' ("fall in love") sem ser reconhecido pelo observador casual, embora o acto de 'estar apaixonado' ("being in love") possa ser examinado através dos acontecimentos e condições que conduziram a que o sujeito fosse levado a crer que 'amava': o que pode incluir a teoria de que 'estar apaixonado' será uma reacção fortíssima a um conjunto de condições altamente positivas no comportamento ou presença do Outro.

O Amor expressionista tem semelhanças com o behaviorismo, tendo em conta que o Amor é considerado uma expressão de um conjunto de actos dirigido a um 'amado', que poderão ser comunicados através de linguagem (palavras, poesia, música) ou comportamento (oferecer flores, doar um rim), mas sendo o dito cujo um reflexo de um estado emocional interno em detrimento de uma exibição de respostas físicas a estímulos.

Ainda nesta linha de pensamento, há quem considere o Amor como uma resposta espiritual, o reconhecimento de uma alma que completa a própria alma, complementando-a ou aumentando-a. A visão espiritualista do Amor incorpora noções místicas, bem como românticas tradicionais, mas rejeita as explicações comportamentalistas e físicalistas.

Aqueles que consideram o Amor como uma resposta estética defendem que, o mesmo, é reconhecível através do sentimento consciente e emocional que provoca no indivíduo, embora não possa ser captado em termos de linguagem descritiva e racional. Será, sim, para ser captado através de metáforas ou música.

3. Amor: Ética e Política
Os aspectos éticos no Amor envolvem a adequação/propriedade moral do Amar, bem como das formas que tal deve ou não deve tomar. Este campo levanta questões tais como: será eticamente aceitável amar um objecto, ou amar-se a si próprio? Será o amor a si próprio ou a outro um dever? Deverá o sujeito mentalmente ético dirigir o seu amor para todas as pessoas de uma forma igual? Será o amor parcial moralmente aceitável ou permissível (i.e., não necessariamente 'certo' mas 'desculpável')? Deverá o Amor só envolver aqueles com quem o agente poderá encetar uma relação com significado? Deverá o Amor aspirar a transcender o desejo sexual ou as aparências físicas? Poderão as noções de amor sexual e romântico aplicar-se a parceiros do mesmo sexo?
Algumas das questões levantadas extravasam naturalmente para a ética do sexo, que lida com o adequamento da actividade sexual, reprodução, actividades hetero e homossexual, e assim por diante.

Na área da filosofia política, o Amor pode ser estudado a partir de uma míriade de perspectivas. Por exemplo, alguns podem perspectivar o Amor como uma expressão de dominância social de um grupo (machos) sobre outro (fêmeas), na qual a linguagem socialmente construída e a 'etiqueta' do Amor é concebida para reforçar o poder masculino e retirar poder ao grupo feminino. Segundo esta teoria, o Amor é produto do Patriarcado e os seus actos análogos à visão de Marx sobre a Religião ("O Ópio do Povo") de que o "Amor é o Ópio das Mulheres". É óbvio que esta teoria é muito mais atractiva para Feministas e Marxistas, os quais vêem as relações sociais (e toda a panóplia de cultura, linguagem, política, instituições) como reflexo de estruturas sociais mais profundas que dividem as pessoas em classes, sexos e raças.

...

Aqui ficou, então, um pequeno resumo dos principais elementos que encontrei sobre a Natureza do Amor.
Verifiquei, nesta busca de conceitos e variadas explicações, que o Amor é algo de tão grandioso e importante para o Ser Humano e suas considerações existenciais emocionais e intelectuais que alcança campos filosóficos variados, mormente teorias da Natureza Humana, do Próprio e da Mente.
A Linguagem do Amor é igualmente vasta e abrangente a várias culturas e Línguas humanas (envolvendo mesmo a Linguística na asserção da noção do conceito e sua expressão em cada idioma humano existente), merecendo cada uma delas um estudo mais aprofundado a fim de melhor podermos entender este maravilhoso "ideal" a que chamamos... AMOR.

E tudo isto por Amor a Alguém, numa tentativa (que descubro agora ter sido vã) de tentar entender e racionalizar a minha questão porque Amo quem eu Amo e só a Ela desejo?

(Mas continuo sem saber explicar porque Amo quem eu Amo, e porque continuo a Amá-la e a desejar estar com Ela, nem esta Tristeza de não estar com Ela... o Meu Amor)

1 comentário:

Maria Felgueiras disse...

A este respeito há três autores que te aconselharia a ler vivamente: Ortega Y Gasset, Alain de Botton e Francesco Alberoni. Faz uma busca na net. No meu blog deves ter links para os sites do Botton e do Alberoni, julgo.

Estas coisas do Amor... queremos reconquistar a todo o custo o que perdemos ou queremos honrar os nossos sentimentos mesmo quando a relação acabou, ou será que nada disto se explica?

Beijinhos